Faço essa brincadeira para deixar claro que nunca me proponho a escrever sobre música com isenção ou distanciamento. Digamos que é 90% paixão e um pouquinho de bom senso.
Mas vamos ao show.
Erasmo estreou nesta sexta-feira, dia 25 de setembro, o show da turnê Rock'n'Roll, nome que também batiza seu novo álbum de inéditas. O trabalho evidentemente resgata as raízes roqueiras do compositor e deixa sua veia MPB em segundo plano. Até agora ainda não ouvi quem não tenha se entusiasmado com as novas músicas assinadas por Erasmo ou em parcerias com Nando Reis, Nelson Motta e Chico Amaral.
Assim que a banda entrou em cena e soltou os primeiros acordes de Jogo Sujo, faixa que abre Rock'n'Roll, atentei para a composição do palco. O cenário remetia às festinhas dos anos cinquenta e um telão ao fundo passava imagens relacionadas às canções.
Os seis músicos que acompanham Erasmo também pareciam escolhidos sob medida para o espírito da nova turnê. Os guitarristas Dadi e Billy Brandão e o tecladista José Lourenço dão o toque de experiência, enquanto o trio Filhos de Judith, vestindo terninhos a la Beatles, dão o toque juvenil e retrô ao espetáculo.Os músicos dispensam apresentações, mas é importante ressaltar a qualidade generalizada de conciliar peso e elegância aos arranjos.
O repertório era um tiro certo: apenas seis músicas do novo álbum (Jogo Sujo, Chuva Ácida, Olhar de Mangá, Noturno Carioca, A Guitarra É uma Mulher e Cover) e um best of dos quase cinquenta anos de carreira do Tremendão.
A temática do show priorizou os sucessos da Jovem Guarda, como É Proibido Fumar, Vem Quente que Eu Estou Fervendo, Minha Fama de Mau, Quero que Vá Tudo pro Inferno e Lobo Mau. Para dar fôlego, os sucessos dos anos oitenta Mulher (Sexo Frágil), Minha Superstar e Mesmo que Seja Eu.
Se as músicas citadas até agora já não bastassem pra garantir o sucesso da noite, ainda houve dois momentos inesquecíveis.O primeiro deles foi o medley de canções românticas popularizadas na voz de Roberto Carlos cantadas só com o acompanhamento do teclado. Segundo Erasmo, essa era a sua homenagem ao parceiro.
No começo, a escolha das músicas parecia irônica. A voz cambaleante de Erasmo cantando os primeiros versos de Desabafo ou Detalhes foi uma grande sacada. Depois veio a declaração de amor rasgada com alguns dos "temas de motel" mais conhecidos da dupla.
Fiquei ainda surpreso com a inclusão de Panorama Ecológico no repertório. A música de 1978 é uma das composições mais fortes da dupla, mas hoje em dia não me parece muito lembrada. Erasmo chegou a trocar as bolas anunciando "As Baleias" na introdução.
Senti falta apenas de alguma música do cultuado disco Carlos, Erasmo (1971), um desses desastres comerciais recheados de preciosidades que só ganham seu devido valor muito anos mais tarde.
Mas eu me recuso a reclamar.
E o Roberto que me perdoe, mas essa versão de É Preciso Saber Viver é muito mais legal!
3 comentários:
Erasmo é o cara! Eu tb queria que ele fosse meu avô!
Muito bom o post, PH!! Não é muito a minha praia - até por falta de conhecimento - mas deu até vontade de ir! rs :)
Bjos
E eu queria que o Erasmão fosse meu tio!!! :-D Realmente, esse disco é a melhor coisa lançada neste ano. Dá até vontade de gritar "eu quero é rock'n'rolll"!!!
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