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23 de mar. de 2009

A notícia já é velha, mas vale um comentário aqui no blog. A maior comunidade para baixar discos do Orkut foi obrigada a encerrar suas atividades no dia 15 deste mês e evidentemente a polêmica sobre os downloads irrestritos voltou à tona. Os moderadores foram ameaçados pela APCM (Associação Anti-pirataria Cinema e Música) com base em medidas legais. A APCM representa grandes conglomerados da mídia que condenam o compartilhamento de arquivos de música e filmes na internet e se propõe a botar ordem na chamada "farra dos downloads".

Dizem que quem baixa um disco, por exemplo, está deixando de pagar pelo trabalho de muita gente. Por enquanto, isso pode até ser verdade. Mas o que todo mundo já percebeu é que a lógica da indústria está mudando e o papel das gravadoras que conhecíamos está ultrapassado. Há quem diga que o caminho natural delas é se tornarem cada vez mais parecidas com produtoras e agências de marketing. Hoje ninguém precisa pagar para ter um i-pod abarrotado de música, mas as redes de compatilhamento potencializam imensamente o interesse por conhecimento e criam uma verdadeira mina de oportunidades para quem lida com esse negócio. Os tempos mudaram, boas iniciativas rentáveis surgem a todo momento e só bate cabeça quem se finge de burro.

Eu até acreditava que essa linha de pensamento beirava a ingenuidade, mas não. A manutenção da indústria como conhecemos é pior, pois só interessa a quem já está muito rico com ela, e nisso se incluem até artistas e cineastas consagrados. Quem está começando agora quer mais é ver sua obra se espalhando sem restrições logísticas e financeiras. O lucro vem de outras maneiras. A cabeça é outra.

E claro, a polêmica não se restringe aos pontos levantados aqui. A questão dos direitos autorais, por exemplo, é bastante complexa e merece uma revisão diante dessa “nova ordem” na indústria da arte e do entretenimento.

Não demorou para que a comunidade Discografias ressurgisse sob o nome "Discografias - O Retorno", com novos moderadores. E se a primeira tinha quase 1 milhão de membros, a nova está chegando a 50 mil com menos de duas semanas de existência. Qual será a próxima medida da APCM e companhia? Exterminar todas as redes de compartilhamento, todas os blogs que postam links para downloads e todas as comunidades de troca de arquivos do mundo? Haja lobby!

O blog do Pedro Alexandre Sanches, jornalista de primeiríssima linha, é um prato cheio para quem quiser ler mais sobre o assunto. Recentemente, ele fez uma entrevista imperdível com Pena Schimidt, ex-executivo, diretor e produtor de gravadoras multi-nacionais. O fim da Discografias está na pauta. 
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4 comentários:

Anônimo disse...

Esse modelo que as gravadoras defendem tá falido há muito tempo. Ao invés de buscar novas alternativas, eles se preocupam em tomar umas medidas desesperadas dessas. É patético. Enquanto gastam milhares de reais em honorários de advogados, pra tentar fechar uma comunidade de discos, outras 500 estão sendo criadas. E vão continuar criando.

Tem q ter uma alternativa, também não pode ficar a bagunça q tá. Mas quem vai procurar uma solução se as gravadoras (q deveriam ser as maiores interessadas)estão se preocupando em fechar comunidade? Pros artistas (q nunca ganharam dinheiro com venda de disco) é bom. Pro consumidor é bom.

Mexam-se gravadoras! Enquanto isso eu vou baixando uns discos aqui.

Rany disse...

Po, Ph, nem fala..isso é restrição de cultura!! NÃO ao mercado, abaixo a ditadura mercantilista!! hehe

Mas a pior notícia de hoje pra mim em termos musicais é que a Last fm passará a ser paga... menos nos EUA e Inglaterra acho...SURREAL!

Unknown disse...

Concordo, Rany! Acho que eles vão acabar perdendo espaços para outros serviços semelhantes, só isso.

Ricardo disse...

Pedro,

tenho acompanhado seu blog. Muito bom o nível!!

abraços